Por que os preços quase nunca são números redondos?

Você já deve ter se perguntado ou ficado curioso do motivo por trás de preços como R$9,99 ou R$19,99, por exemplo. Bom, esses valores “quebrados” que vemos nas mercadorias, muitas vezes, são colocados assim, principalmente, como estratégia de precificação para fazer com que os produtos pareçam mais baratos.
Apesar de parecer uma diferença mínima e, até mesmo indiferente, ela se mostra eficaz e gera resultados positivos para as lojas que aplicam esse método.

Por que a maioria dos preços são fracionados?
Os preços que terminam em 9 ou 99 são assim porque dão a impressão de algo mais barato, do que aqueles que apresentam valores inteiros, como 10 e 100.
E essa tática possui até um nome: precificação psicológica. Trata-se de uma estratégia que considera não apenas o valor que será pago, mas também a maneira como o consumidor percebe esse valor.
Embora a diferença real seja mínima, às vezes de apenas um centavo, esses valores podem causar percepções distintas porque as tendemos à olhar primeiro para os números que estão à esquerda em um preço. O chamado “efeito do digito à esquerda”, já ouviu falar nele?
É como se o número que está à esquerda fosse o mais importante e o que vem depois fosse apenas o complemento do preço, que não merece tanta atenção assim. Por exemplo, R$ 7,99 parece relativamente próximo de R$ 7,00, e ele é quase igual a R$ 8,00. Por isso, temos a impressão de que o produto a R$ 7,99 é mais barato do que ele realmente é, pois não chega a custar o valor inteiro de oito reais.
De acordo com o artigo publicado na plataforma Por Quê? – Economês em bom português, o intuito dessa precificação é, então, evitar que o preço fique redondo para dar a impressão de “produto mais em conta”.
Porém, nem sempre essa estratégia de precificação sozinha dita que o produto parecerá mais barato ou não, pois a percepção do consumidor sobre o valor de um produto pode depender do contexto da compra, dos preços fornecidos por concorrentes e das próprias expectativas do consumidor.
O que o preço pode dizer sobre um produto?
A precificação de uma mercadoria depende da categoria do produto, do posicionamento da marca e da preferência dos consumidores. Então, nem sempre será benéfico utilizar essa estratégia de precificação, pois dependerá da percepção que o vendedor quer que o consumidor tenha daquele produto.
Em alguns contextos, preços redondos podem ser usados justamente para transmitir uma percepção de simplicidade ou maior sofisticação, por exemplo. Por isso, os preços precisam ser analisados dentro do contexto, como afirma o Blog Neuromarketing.
O valor de R$ 99,90, por exemplo, pode ser considerado relativamente baixo para determinado produto e elevado para outro. Isso significa que não existe um preço específico que tenha o mesmo efeito em todas as situações.
Trata-se, portanto, de uma decisão comercial que envolve diversos fatores, como posicionamento, concorrência, margem de lucro, promoções e percepção do consumidor.
Afinal, faz diferença aqueles centavos?
Para o vendedor, o que fará diferença não é o preço em si, mas sim a influência que o preço terá no consumidor.
Aquele "R$ 0,01" pode parecer insignificante para quem compra uma unidade, mas pode representar milhares ou milhões de reais quando multiplicado por um volume enorme de vendas.
Se pararmos para pensar que o preço de R$ 9,99 fizer pode fazer com que mais pessoas decidam comprar um produto, a empresa pode acabar faturando mais no total. Isto é, mesmo que a empresa tenha aberto mão de faturar R$ 0,01 por unidade, mas vendeu 500 unidades a mais, ela ainda está saindo no lucro.
Nesse cenário, o faturamento aumentou R$ 4.895 e os centavos "perdidos" em cada produto foram compensados pelo aumento no volume de compras.
Porém, isso não quer dizer que colocar R$ 99,99 no lugar de R$ 100, necessariamente, aumentará o faturamento. As empresas ainda precisam considerar quantas unidades serão vendidas, os custos de produção, a margem de lucro e a resposta dos consumidores àquele preço.
Por que os preços quase nunca são números redondos? Agora você já sabe!
Na próxima vez que você encontrar um produto custando R$ 19,90 ou R$ 99,99, agora já sabe que esse preço “quebrado” foi definido dessa forma por algum motivo, e não está dessa forma aleatoriamente.
Por que os preços quase nunca são números redondos, então? Seja pela sensação de desconto ou por uma estratégia de precificação já consolidada, o fato é que, mesmo sabendo que a diferença é de apenas um centavo, R$ 9,99 ainda pode parecer uma compra mais vantajosa do que R$ 10.

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